quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A verdadeira "Saída Mishell"

O ministro Luiz Edson Fachin, do STF determinou a abertura de inquérito contra a alta cúpula do PMDB no que se convencionou chamar no jargão jornalístico de "Saída Mishell" numa evocação da fla de Romero Jucá, gravada por Sérgio Machado em que o "prócer" peemedebista propõe a deposição de Dilma como única forma de "estancar a sangria e parar essa porra..."

Não adiantou. 

A sangria continua e hoje, completando um "dia de cão" para o golpista Mishell Temer, o Portal Brasil 247 reproduz matéria assinada por Paulo Moreira Leite que mostra que o desgoverno vive mesmo seu inferno astral. 

Sem mais comentários, vale o texto, por si só explicativo: 


Temer e a falência múltipla de órgãos

"Um resumo das ultimas 24 horas do governo Temer mostra o resultado esperado de um governo que fez um pacto com o diabo para derrotar a democracia e não tem como pagar a conta", afirma Paulo Moreira Leite; "Enquanto um juiz de primeira instância barrava a nomeação de Moreira Franco para o ministério e a Polícia Federal acusava o aliado Rodrigo Maia de receber propina de R$ 1 milhão, também ocorreram movimentos graves nos degraus inferiores do Estado", diz ele, citando a violência no Espírito Santo e a invasão do Congresso pela polícia em Brasília; para PML, a situação do país confirma a visão de que "governos sem voto popular estão condenados a conviver com um inferno social que habita os subterrâneos de um país desigual, atrasado, de longa reincidência autoritária" 

Texto completo em:

http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/279505/Temer-e-a-fal%C3%AAncia-m%C3%BAltipla-de-%C3%B3rg%C3%A3os.htm

Efeito Moro-Temer

O site do UOL reproduz noticia do "Estadão" informando dados do Sinduscon-SP e da Fundação Getúlio Vargas que apontam uma redução de mais de 414 mil postos de trabalho na construção civil em 2016.

Apesar da matéria não mencionar o fato, boa parte dessa redução deve-se atribuir ao desgoverno de Mishell Temer e a crise que seria solucionada no dia seguinte da deposição de Dilma Rousseff  e que ainda foi nem será debelada tão cedo. 

Mas, para todos os analistas boa parte desses números também têm a ver com a ação do Savonarola de Curitiba, o inefável juiz Moro que com esse nome teria sido jogado na fogueira da Inquisição por seu homônimo de noção de Justiça da idade Média. 

Isso se dá, sem sombra de dúvidas pela perseguição implacável que  justiceiro move contra empresas brasileiras na ânsia de ser aplaudido em reuniões e conchavos nos Estados Unidos, como verdadeiro ponta de lança do entreguismo brasileiro aos seus patrões de Norte. 

Eis o texto: 


Sinduscon-SP/FGV: construção civil cortou 414,0 mil postos de trabalho em 2016

Em 27 meses, mais de 1,08 milhão de trabalhadores perderam o emprego - Foto: Erik Salles | Ag. A TARDE

 

 A construção civil fechou 93,7 mil vagas de trabalho no País em dezembro. Com isso, o total de pessoas empregadas no setor chegou a 2,489 milhões, uma queda de 3,6% em comparação com novembro e uma baixa de 14,3% contra dezembro do ano anterior. No acumulado de todo o ano de 2016, a indústria da construção perdeu 414,0 mil postos de trabalho.
Os dados fazem parte de pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 9, pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em informações do Ministério do Trabalho e do Emprego.

O resultado de negativo de dezembro representa o 27º mês consecutivo de queda na quantidade de vagas na construção. Em outubro de 2014, primeiro mês da série negativa, havia 3,57 milhões pessoas empregadas na construção. Ou seja, em 27 meses, mais de 1,08 milhão de trabalhadores perderam o emprego.

"Desde o início de 2016 alertávamos que chegaríamos a mais de 1 milhão de demitidos desde o início da crise se o governo não adotasse medidas emergenciais para estimular a construção civil", afirma o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, em nota distribuída à imprensa.

"Com exceção do programa Minha Casa Minha Vida, não vemos no curto prazo outras iniciativas que levem a contratações de mão de obra para setor", acrescentou.

Para este ano, o sindicato projeta retração de 5,0% na quantidade de pessoas empregadas no setor, dada a paralisação dos novos projetos de infraestrutura e o estoque elevado de imóveis novos não vendidos, que repele novos empreendimentos em várias cidades.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Me engana que eu gosto...

Um dos princípios mais caros a todos jurisconsultos e operadores do direito é da supremacia da Justiça sobre o Direito, entendido este como a forma fria da lei. Assim, é comum se ouvir que mais vale a intenção do legislador ao criar ao lei do que dá entender a letra fria do texto legal.

Assim é com o princípio constitucional que veda filiação partidária a ministros das cortes superiores do País. O legislador constitucional não pensava, é claro e evidente, em ministros com filiação partidária, mas sim em figuras ligadas a partidos políticos por militância, vínculos ideológicos e atuação pública.

Mas, não é o que pensa o inefável presidente do PSDB, o senador carioca por Minas Gerais, Aécio neves que, ignorante em quase tudo que diz de Brasil prova ser um completo analfabeto jurídico. Para ele, a desfiliação de Alexandre de Morais que lhe foi comunicada hoje, é como o sabão em pó que torna limpo de conotações partidárias o atuante quase ex-ministro da Justiça.

De uma hora para outra Morais deixou de ser tucano e jura que desde criancinha é apartidário...

Pelo menos é o que dá entender a notícia veiculada no Portal Brasil 247:


PODER

Aécio comunica desfiliação de Moraes do PSDB

Jefferson Rudy: <p>Plenário do Senado durante sessão deliberativa ordinária. Em pronunciameto, senador Aécio Neves (PSDB-MG). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado</p>
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse nesta terça-feira 7 que recebeu o pedido de desfiliação do partido das mãos do ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes, recentemente indicado para o STF por Michel Temer; "Posso afirmar que, a partir de hoje, Alexandre de Moraes é um ex-tucano. Ele cumpre o que determina a Constituição, desfiliando-se do PSDB, porque é incompatível que um ministro da Suprema Corte seja filiado a um partido político", disse

Linha direta

A mídia impressa brasileira tem alguns expoentes em pequenos jornais do interior e vez por outra um deles se destaca como é o caso de Mário Tarsitano, chargista da "Tribuna de Minas" editada em Juiz de Fora (MG). Desse talento já nasceram charges antológicas como a que foi publicada na edição desta terça feira: 


Mário Tarcitano



A charge foi também reproduzida e comentada no Facebook




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A definição...






  


Publicado originalmente na página do Facebook do senador Lindbergh Farias


Causa e efeito

Circula no Facebook um quadro que mostra bem causa e efeito de coisas como a "lavajato":






E o pior disso é que a grande mídia nem sequer toca nesses assuntos...

A fúria para privatizar...

Um bom texto originariamente publicado pelo Mauro Santayana em seu Blog é reproduzido como documento para a história contemporânea do País:

O cerco aos bancos públicos e o futuro do Brasil




 
 Nos últimos meses, o governo brasileiro não apenas está tomando medidas temerárias do ponto de vista estratégico como também o está fazendo na contramão do mundo, em um momento em que o nacionalismo e o Estado se fortalecem, como reação à globalização, até mesmo pelas mãos da extrema direita, nos países mais desenvolvidos.

O que vem sendo apresentado, com a cumplicidade de uma mídia imediatista, irresponsável e descomprometida com os objetivos nacionais, não passa de uma sucessão de “negócios” apressados e empíricos que têm como único norte o acelerado desmonte, esquartejamento e inviabilização em poucos anos, do Estado, com deletérias, estratégicas, e talvez irreversíveis consequências para o futuro.

Estamos entregando o país aos negócios privados, principalmente estrangeiros, em transações gigantescas, feitas a toque de caixa, que envolvem bilhões de dólares. Na maioria das vezes, à revelia da sociedade brasileira, a ponto de muitas estarem sendo realizadas até mesmo sem licitação, como está ocorrendo com a “venda” e desnacionalização de poços do pré-sal e de outros ativos.

Tudo isso com uma fúria privatista que só encontra paralelo nos nefastos mandatos de Fernando Henrique Cardoso, que tiveram como principais consequências econômicas a duplicação da dívida líquida pública e a queda do crédito, do PIB, da renda assalariada e do trabalho formal ao fim de seus oito anos de governo.

Se o recuo estratégico é grave em setores primordiais, como energia, infraestrutura e defesa, ele atinge também, drasticamente, os bancos públicos.

Assim como não existem grandes países sem grandes empresas nacionais, também não existem grandes nações que possam prescindir de um forte sistema financeiro público para que se desenvolvam estratégica e soberanamente.

Não se trata apenas, como ocorria no passado, do direito de cunhar moeda, mas de ter instrumentos que possam garantir que a roda da economia continue girando.

Nos últimos anos, o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil foram cruciais para manter o país crescendo, investindo na “bancarização” da população e na expansão do crédito.

O volume de crédito em circulação, que caiu de 36% para 23,8% do PIB nos governos de FHC, mais do que duplicou nos governos do PT, até atingir 54,2% em dezembro de 2015.

Sem o financiamento à indústria e à agricultura teria sido impossível, para o país, enfrentar a longa sucessão de graves crises que vêm atingindo o mundo ocidental e o capitalismo desde 2008, quando a banca privada se retraiu, deixando de emprestar dinheiro e passou a investir, como sempre fez historicamente, basicamente em títulos do governo.

Com isso, embora o lucro dos bancos tenha aumentado mais de 400% na era Lula com relação ao governo anterior, as instituições públicas se expandiram mais do que as particulares, aumentando a variedade e quantidade dos serviços prestados a seus clientes, sua oferta de crédito, seus lucros e sua presença na economia nacional.

E como o atual governo responde a esse imprescindível papel estratégico?

Pega carona e incentiva a campanha, com forte componente ideológico, que se está desenvolvendo na mídia e nas redes sociais, contra o BNDES.

Promove a estúpida, suicida e inexplicável eliminação de R$ 100 bilhões dos ativos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que estão sendo repassados ao Tesouro, para suposto “abatimento” cosmético e irrelevante da dívida pública, em um momento em que o país é apenas a 40ª nação do mundo em endividamento, e se encontra mergulhado em grave recessão.

Reforça essa política de terra arrasada com a interrupção e eliminação, pela atual diretoria do BNDES, de projetos de exportação de serviços de engenharia de empresas já atingidas em bilhões de dólares, pelo tsunami punitivo da Operação Lava Jato.

Com isso, morrem no nascedouro milhares de empregos que poderiam surgir por meio de alguns dos maiores expoentes da engenharia nacional e de centenas de médias e pequenas empresas de sua cadeia de fornecedores.

O governo estende os nefastos efeitos dessa abordagem destrutiva do Banco do Brasil e da Caixa – apelando para a velha desculpa da busca de “eficiência” – promovendo seu desmanche e “enxugamento”, com o já anunciado fechamento de centenas de agências e a demissão “incentivada” de milhares de funcionários, em um momento em que dezenas de municípios, para o enfrentamento da crise, não poderiam prescindir da presença e do apoio dessas instituições.

Quais são as razões que se escondem por trás disso? Por que e para que torcer o pescoço das galinhas dos ovos de ouro da economia nacional que, além de manter o país funcionando, deram altíssimos retornos para seus acionistas e para a União e estão ligadas a conquistas de enorme importância social, como a construção de 3,5 milhões de casas populares nos últimos anos?

De 2010, para cá, o BNDES, além de emprestar centenas de bilhões de reais para grandes, médias e pequenas empresas, teve mais de R$ 40 bilhões de lucro. O Banco do Brasil alcançou, em 2011, um lucro líquido de mais de R$ 12 bilhões e chegou a mais de R$ 14 bilhões em 2015. Os seus ativos, que eram de quase R$ 1 trilhão em 2011, chegam a quase R$ 1,5 trilhão este ano. A Caixa Econômica Federal lucrou quase R$ 4 bilhões em 2011 e expandiu seus resultados para 7,2 bilhões em 2015.

De que tipo de “reestruturação” esses bancos precisam? De mandar gente embora para fazer com que os que vão ficar trabalhem o triplo – cada funcionário de agência do Banco do Brasil já é responsável, em média, pelo atendimento a quase 450 contas da instituição – e comecem a cometer falhas, e fazer os clientes pensarem em migrar para os bancos privados?

Não se pode compreender esse cerco à banca pública a não ser como um desejo subjacente de abrir mercado para a banca privada, embora esta não tenha deixado de multiplicar também seus ganhos.
Deve assustar, sobretudo, a possibilidade que os bancos públicos têm, a qualquer momento, de regular indiretamente o mercado, sempre que necessário, baixando as suas taxas de juros e as tarifas que cobram da população.

Mas essa deliberada e injustificável estratégia de sabotagem e sufocamento dos bancos públicos pode ter, também, outras intenções.

Como sempre ocorre, ela abre caminho para que se possa dizer que eles estão operando mal ou perdendo dinheiro, e que devem ser privatizados a médio prazo, eliminando-os totalmente, da economia nacional.

Assim como ocorre no caso da Petrobras, a sociedade brasileira precisa responder ao desmanche e à campanha contra a banca pública decisivamente.

Os bancários e os municípios prejudicados devem entrar na Justiça contra o fechamento de agências, levando ao Judiciário e ao Ministério Público informações relativas à verdadeira situação financeira dos bancos estatais e sua importância econômica e social no contexto do processo de desenvolvimento brasileiro.

É preciso que aqueles que dizem que é necessário aumentar a “eficiência”, expliquem onde está a ineficiência de instituições que praticamente salvaram o país durante a crise de 2008, que contribuíram para a expansão do crédito, da produção e da infraestrutura e que, na última década, deram dezenas de bilhões de reais em lucro.

Enquanto o sistema financeiro privado internacional, por ineficiência, desonestidade e fiscalização, levava a economia global ao colapso.


 Blog do Mauro Santayana